China em 15 dias

24-09-2026

Hong Kong · Macau · Xi'an · Shanghai · Pequim · Wudangshan

Viajar pela China é viajar por várias Chinas ao mesmo tempo.

É entrar numa cidade ultramoderna como Shanghai e, poucas horas depois, estar diante de um templo com séculos de história. É caminhar entre arranha-céus em Hong Kong, atravessar uma muralha construída para defender um império, ficar frente a frente com milhares de soldados de terracota ou subir uma montanha sagrada onde o Taoismo se encontra com a natureza.

Hong Kong – onde Oriente e Ocidente se encontram

Hong Kong tem uma história muito particular. Durante séculos foi uma região costeira ligada às comunidades piscatórias e às rotas comerciais do sul da China. No século XIX passou para administração britânica na sequência das Guerras do Ópio, permanecendo como colónia britânica até 1997, quando foi transferida para a República Popular da China como Região Administrativa Especial.

Essa história ainda está muito presente na cidade.

Aqui encontramos templos chineses, mercados tradicionais, arranha-céus, arquitetura colonial, centros financeiros e bairros onde a vida quotidiana continua a acontecer em pequenas lojas e bancas de rua.

Hong Kong foi, por isso, uma excelente porta de entrada para esta viagem.

Dia 1 – Hong Kong: a cidade vertical

Comecei por conhecer a Hong Kong mais urbana.

Victoria Harbour é inevitável. De um lado, Hong Kong Island; do outro, Kowloon. Entre ambos, o famoso Star Ferry continua a fazer a ligação através do porto, proporcionando uma das formas mais interessantes de observar a cidade. (Descubra Hong Kong)

Depois, caminhada por Tsim Sha Tsui, seguindo pela marginal e pelas zonas comerciais.

Mas Hong Kong não se percebe apenas olhando para os arranha-céus.

Vale a pena entrar nos bairros, observar os mercados, as pequenas lojas, os templos e a forma como a cidade utiliza cada metro quadrado.

Ao final do dia, a Temple Street Night Market é uma boa forma de sentir esse lado mais popular de Hong Kong, entre bancas, comida e comércio de rua. (Descubra Hong Kong)

Uma cidade para caminhar

Uma das coisas de que mais gostei em Hong Kong foi precisamente a possibilidade de alternar entre a cidade e a natureza.

Entre escadas, mercados, parques e zonas costeiras, percebe-se rapidamente que Hong Kong é muito mais verde do que a imagem dos arranha-céus pode fazer pensar.

Dia 2 – Big Buddha e Tai O: a outra Hong Kong

O segundo dia foi dedicado a Lantau Island.

E aqui acontece uma das maiores mudanças de cenário de toda a viagem.

Tian Tan Buddha – o Big Buddha

O Big Buddha, ou Tian Tan Buddha, é uma das imagens mais conhecidas de Hong Kong. Está situado junto ao Po Lin Monastery, em Ngong Ping, e pode ser alcançado através do famoso teleférico Ngong Ping 360. 

A subida até à estátua é também uma mudança de ritmo.

De repente, os arranha-céus desaparecem e dão lugar às montanhas.

A dimensão da estátua impressiona, mas para mim foi igualmente interessante a envolvente: o mosteiro, o silêncio relativo e a paisagem.

Tai O – a aldeia piscatória

Depois segui para Tai O, uma das zonas que mais gostei de conhecer.

Tai O é conhecida pelas suas casas construídas sobre estacas, pelos canais e pela tradição piscatória dos seus habitantes. A aldeia mantém uma atmosfera muito diferente da Hong Kong moderna e é frequentemente descrita como uma das comunidades tradicionais mais características de Lantau.

É aqui que surge também a referência à "Pearl Village", associada à imagem tradicional de Tai O como aldeia piscatória.

O contraste é enorme: poucas horas antes estava rodeada de arranha-céus e agora caminhava por pequenas passagens junto à água, entre casas de madeira e barcos.

Foi uma das primeiras grandes lições desta viagem:

não confundir Hong Kong com os seus arranha-céus.

Aqui nesta aldeia ná um passeio de barco que te leva a ver golfinhos rosa no mar ente Hong Kong e macau.

Dia 3 – Os 10 000 Budas e os bairros de Hong Kong

O terceiro dia começou com uma subida.

E que subida.

Mosteiro dos 10 000 Budas

O Ten Thousand Buddhas Monastery, em Sha Tin, é alcançado através de um caminho íngreme com centenas de degraus, acompanhado por numerosas estátuas douradas de Buda. 

A subida faz parte da experiência.

As estátuas que encontramos pelo caminho são diferentes entre si e tornam o percurso muito mais interessante do que simplesmente chegar ao templo.

Depois da subida, a recompensa é a vista sobre Sha Tin e as montanhas envolventes.

É um daqueles lugares em que o esforço físico também faz parte da experiência espiritual.

Mong Kok e mercados

De regresso à cidade, dediquei o resto do dia a explorar Mong Kok, uma das zonas mais movimentadas de Hong Kong.

Mercados, letreiros, lojas, pessoas e ruas estreitas.

Aqui vale a pena simplesmente caminhar sem um plano demasiado rígido.

Hong Kong é uma cidade que se descobre muito bem a pé.

Macau – um dia entre Portugal e China

Macau merece uma paragem mesmo que seja apenas de um dia.

A história da cidade é completamente diferente da de Hong Kong.

Um pouco de história

Macau esteve sob administração portuguesa durante séculos, até à transferência da soberania para a China em 1999.

O resultado é uma das paisagens culturais mais interessantes da Ásia: elementos chineses, portugueses, católicos e comerciais convivem no mesmo espaço.

O Centro Histórico de Macau reúne mais de 20 monumentos e espaços urbanos e está inscrito na lista do Património Mundial desde 2005. 

O roteiro de um dia

Começaria pela Praça do Senado.

A calçada portuguesa, os edifícios de inspiração europeia e as fachadas coloridas fazem-nos sentir, por momentos, numa cidade portuguesa.

Daqui seguimos a pé para a Igreja de São Domingos, passando pelas ruas históricas até às Ruínas de São Paulo.

As ruínas correspondem à fachada da antiga Igreja da Madre de Deus, construída entre 1602 e 1640 e destruída por um incêndio em 1835. O conjunto estava ligado ao Colégio de São Paulo, uma importante instituição jesuíta.

Depois subiria à Fortaleza do Monte, continuando até ao centro histórico.

Outro local que merece uma visita é o Templo de A-Má, que já existia antes da própria cidade de Macau e combina elementos de diferentes tradições religiosas chinesas.

E, claro, há que reservar algum tempo para experimentar os famosos pastéis de nata de Macau.

É impossível não sorrir ao encontrar um sabor tão familiar a milhares de quilómetros de Portugal.

Para chegar a Macau usei cum ferry que se pode comprar passagem online ou na hora. Não esquecer passaporte é uma fronteira.


Xi'an – onde a história ganha forma

Xi'an foi uma das grandes capitais históricas da China.

A cidade esteve associada a várias dinastias e foi o ponto de partida oriental da antiga Rota da Seda. Foi também durante a dinastia Tang que Chang'an, o nome histórico de Xi'an, atingiu enorme importância política, cultural e comercial.

É neste contexto que percebemos a dimensão do Exército de Terracota.

Dia 5 – O Exército de Terracota

O Exército de Terracota é provavelmente uma das experiências mais impressionantes de toda a viagem.

O complexo reúne mais de 8 000 figuras de terracota associadas ao mausoléu de Qin Shi Huang, o primeiro imperador da China unificada.

Entrar no grande pavilhão e ver a dimensão das fileiras de soldados é difícil de descrever por fotografias.

Cada figura tem características próprias e o conjunto permite imaginar a enorme capacidade organizativa e artística do império Qin.

É um daqueles lugares em que a história deixa de ser abstrata.

Está literalmente à nossa frente.

Dia 6 – O coração histórico de Xi'an

O segundo dia foi dedicado ao centro da cidade.

Comecei pela Bell Tower, a Torre do Sino, construída originalmente em 1384, durante a dinastia Ming. Funcionava como ponto de referência para a cidade e como instrumento de marcação do tempo e alerta. 

A poucos minutos encontra-se a Drum Tower, construída ainda antes da Torre do Sino.

As duas torres são hoje alguns dos grandes símbolos de Xi'an. 

A partir daqui começa uma das zonas mais interessantes para caminhar e fazer compras.

Muslim Quarter

A zona do Muslim Quarter, junto à Drum Tower, é conhecida pelas suas ruas movimentadas e pela gastronomia associada à comunidade muçulmana de Xi'an.

Mesmo sendo vegetariana, achei interessante explorar a variedade de comida, os aromas, as bancas e a energia das ruas.

Giant Wild Goose Pagoda

Para terminar o dia, incluiria a Giant Wild Goose Pagoda, ligada ao complexo do Templo Da Ci'en e à história do monge Xuanzang.

É um bom lugar para perceber a ligação entre Xi'an, o Budismo e as antigas rotas culturais entre a China e o resto da Ásia.


Shanghai - uma china no futuro

Shanghai desenvolveu-se rapidamente como grande porto comercial e centro financeiro, especialmente a partir do século XIX.

A cidade conserva marcas dessa história na arquitetura do Bund, ao mesmo tempo que se transformou numa das grandes metrópoles globais.

É provavelmente o maior contraste de toda a viagem:

Shanghai parece estar a olhar permanentemente para o futuro.

Dia 7 – The Bund e Shanghai antiga

Comecei pelo The Bund, junto ao rio Huangpu.

De um lado temos os edifícios históricos associados à antiga área internacional de Shanghai; do outro, o skyline futurista de Pudong.

É uma das melhores imagens para compreender a cidade: passado e futuro separados apenas por um rio.

Depois segui para o Yu Garden, uma das zonas tradicionais que ainda permite encontrar uma Shanghai muito diferente da cidade dos arranha-céus.

A própria cidade inclui atualmente percursos turísticos que combinam The Bund, Yu Garden, Shanghai Tower e Tianzifang. 

Tianzifang

O Tianzifang é perfeito para terminar o dia, com pequenas ruas, lojas, galerias e cafés.

Aqui a melhor estratégia é não ter pressa.

Dia 8 – Shanghai vista do alto

Shanghai é uma cidade que se deve observar de cima.

A Shanghai Tower, em Pudong, permite perceber a escala gigantesca da metrópole.

Depois vale a pena caminhar junto ao rio e atravessar para o lado do Bund para ver o skyline a partir da margem oposta.

É também um bom dia para explorar Nanjing Road, uma das grandes artérias comerciais da cidade.

À noite, a iluminação transforma completamente Shanghai.

E esta é uma cidade em que vale mesmo a pena sair depois do jantar para caminhar.

Dia 9 – Shanghai tradicional

Para o terceiro dia escolheria uma excursão a Zhujiajiao, uma das antigas cidades de água nos arredores de Shanghai.

É uma excelente forma de quebrar o ritmo urbano.

Canais, pontes, casas tradicionais e pequenas ruas criam um cenário completamente diferente.

Regressando a Shanghai, terminaria o dia no Jade Buddha Temple, antes de voltar a uma das zonas modernas da cidade.

Três dias em Shanghai não permitem conhecer tudo, mas permitem perceber a dualidade da cidade:

uma metrópole global construída sobre uma história muito antiga.

Pequim  - a cidade dos imperadores 

Pequim foi capital de diferentes dinastias e tornou-se especialmente importante durante as dinastias Ming e Qing.

Foi aqui que se concentrou o poder imperial durante séculos.

E é em Pequim que a viagem entra verdadeiramente na história da China imperial.

Dia 10 – Templo do Céu

Comecei pelo Templo do Céu.

Durante as dinastias Ming e Qing, os imperadores deslocavam-se aqui para realizar cerimónias de culto ao Céu e pedir boas colheitas. O complexo é conhecido também pela sua arquitetura e pela simbologia entre Céu e Terra.

O Hall of Prayer for Good Harvests é provavelmente o edifício mais conhecido do complexo.

Uma das coisas que mais gostei foi simplesmente caminhar pelo enorme parque e observar os habitantes de Pequim a utilizar o espaço.

Lama Temple

De seguida, visitaria o Lama Temple, um dos mais importantes templos budistas tibetanos de Pequim.

O ambiente é completamente diferente do Templo do Céu.

Incenso, estátuas, pátios e edifícios religiosos tornam esta visita muito mais contemplativa.

Dia 11 – Cidade Proibida

Se há um lugar que simboliza Pequim, é a Cidade Proibida.

Construída durante a dinastia Ming, foi residência imperial de 24 imperadores das dinastias Ming e Qing. O complexo ocupa mais de 720 000 metros quadrados. (Portal Internacional de Pequim)

É enorme.

E é fácil passar várias horas aqui.

A sucessão de portas, pátios, edifícios, jardins e espaços cerimoniais ajuda a compreender a dimensão do poder imperial chinês.

Nota: para entrar aqui é um pesadelo vaia esta cidade se tiveres tempo, há montes de controlo da polícia.

Wangfujing

Depois da Cidade Proibida, seguiria para Wangfujing, uma das principais zonas comerciais de Pequim.

É uma mudança completa de ambiente.

Lojas, centros comerciais, restaurantes e grandes marcas.

E há ainda um pequeno detalhe que vale a pena procurar: a livraria gigantesca no topo de um centro comercial, uma experiência que mostra bem como o comércio e a cultura podem coexistir na cidade.

Para mim, uma livraria numa cidade chinesa é sempre uma paragem obrigatória.

Dia 12 – A Grande Muralha da China

Chegou finalmente o dia de conhecer uma das maiores obras construídas pelo ser humano.

Escolheria Mutianyu.

A secção de Mutianyu foi construída durante a dinastia Ming e é uma das secções mais bem preservadas da muralha dessa época. A área combina as fortificações com uma paisagem montanhosa muito verde.

E há uma razão adicional para escolher esta entrada:

  • o tobogã para descer da montanha.

Depois de caminhar pela muralha, subir e descer escadas e admirar a paisagem, poder descer num escorrega de montanha é uma forma bastante divertida de terminar a visita.

A Muralha é muito mais impressionante quando se percebe que não estamos simplesmente perante um monumento, mas perante um sistema militar que se estendia por enormes distâncias e que foi sendo construído e reconstruído ao longo de séculos.

Wudangshan - a China espiritual

Depois das grandes cidades, chegou a altura da mudança mais radical da viagem.

Wudangshan.

As montanhas de Wudang são um dos grandes centros históricos do Taoismo chinês.

A tradição taoista na região tem uma história de cerca de dois mil anos e atingiu especial importância durante a dinastia Ming, quando Wudang recebeu enorme apoio imperial. 

A montanha tornou-se também conhecida pelas artes marciais de Wudang, associadas a uma abordagem interna das artes marciais e à tradição taoista. 

Depois de uma viagem por grandes cidades, Wudangshan parece quase outro país.

Dia 13 – Yuxu Street e Yuxu Palace

Começaria pela Yuxu Street, junto à entrada da montanha.

A rua é uma boa introdução ao ambiente local, com arquitetura tradicional, pequenos restaurantes e lojas.

Depois seguiria para o Yuxu Palace.

O palácio tem uma importância especial porque funcionava como um dos grandes centros administrativos de Wudang e foi construído durante o programa imperial da dinastia Ming.

Uma coisa particularmente interessante é que grande parte da experiência está precisamente nas ruínas e na leitura do espaço.

É possível perceber a dimensão que o complexo teve através das plataformas, fundações, muros e eixos arquitetónicos que permanecem.

Dia 14 – Purple Cloud Palace e a montanha

O Purple Cloud Palace – Zixiao Palace é uma das grandes visitas de Wudang.

O complexo está situado junto à montanha e é um dos conjuntos taoistas mais importantes e bem preservados da região. 

Aqui começamos realmente a entrar no espírito de Wudang.

A arquitetura parece fazer parte da montanha.

Depois seguiria pela rota central, passando por locais como Nanyan / South Cliff, onde os edifícios estão literalmente integrados nas encostas rochosas.

É uma caminhada para fazer sem pressa.

Em Wudang, a própria subida faz parte da experiência.

Dia 15 – Golden Summit: o templo no topo

O último dia da viagem tinha de terminar no ponto mais alto.

Golden Summit – Taihe Palace e Golden Hall, no topo de Tianzhu Peak.

O Golden Hall foi construído em 1416 e é o edifício mais famoso do complexo de Wudang. 

Chegar ao topo depois de tantos dias de viagem teve um significado especial.

Durante duas semanas tinha passado por templos, palácios, cidades imperiais, muralhas e arranha-céus.

E a viagem terminava precisamente onde tudo parecia mais simples:

  • montanha, pedra, céu e silêncio.

Para quem tem três dias em Wudangshan, vale a pena não limitar a visita ao Golden Summit. Existem ainda locais como Wulong Palace e Yuzhen Palace, que permitem conhecer uma dimensão menos turística da montanha. 

Dicas práticas para viajar pela China

Viajar pela China é muito mais fácil quando se prepara algumas coisas antes de sair de casa.

E há algumas aplicações que podem fazer toda a diferença.

1. Alipay – instalar antes de viajar

O Alipay foi uma das ferramentas mais importantes da viagem.

É possível associar cartões bancários internacionais e utilizar o sistema para pagamentos através de QR codes. As autoridades chinesas indicam que estrangeiros podem registar-se com números de telefone internacionais e associar cartões como Visa e Mastercard. 

A minha recomendação é simples:

  • instala e configura o Alipay antes de embarcar.

Não deixes esta tarefa para quando chegares à China.

Além dos pagamentos, o Alipay pode ser útil para transportes e outros serviços.

2. WeChat 

O WeChat é muito mais do que uma aplicação de mensagens

Na China funciona quase como uma infraestrutura digital do quotidiano.

Também permite associar cartões internacionais e realizar pagamentos através de QR codes. 

Eu teria Alipay e WeChat configurados, mesmo que acabes por utilizar mais um deles.

Ter uma segunda opção é especialmente útil quando um pagamento não funciona.

3. Amap – esquece o Google Maps

Esta foi uma das aplicações que mais recomendo.

O Amap, também conhecido como Gaode Maps, lançou uma versão em inglês especificamente pensada para utilizadores internacionais. 

Em 2026, a aplicação passou também a disponibilizar mais serviços multilingues para visitantes internacionais, incluindo informação pré-viagem, navegação, transportes e recomendações locais. 

Para mim, o ideal é:

  • instalar Amap antes da viagem e guardar os hotéis e principais locais.

É particularmente útil para:

  • encontrar restaurantes;

  • procurar estações de metro;

  • calcular percursos;

  • pedir táxis;

  • encontrar atrações;

  • confirmar horários;

  • navegar a pé.

4. Revolut e dinheiro

O Revolut pode ser muito útil para uma viagem à China.

O cartão pode ser utilizado em estabelecimentos que aceitem Visa ou Mastercard e permite levantamentos em RMB nos ATM compatíveis. 

Mas eu não viajaria apenas com o cartão.

Levaria sempre algum dinheiro físico em RMB.

Apesar de a China ser extremamente digital, pode haver situações em que um cartão estrangeiro não funciona ou em que um pequeno estabelecimento prefere dinheiro.

A própria informação oficial de Shanghai recomenda ter atenção às diferentes formas de pagamento e confirma a utilização de cartões internacionais, dinheiro e pagamentos móveis. 

O revolut para mim foi importante para oligar ao alipay e controlar as taxas.

A minha combinação seria:

Alipay + WeChat Pay + Revolut físico + algum dinheiro em RMB.

Quatro opções para evitar ficar dependente de uma só.

5. Internet e aplicações

Antes de viajar, é importante perceber que algumas aplicações e serviços ocidentais podem não funcionar normalmente na China continental.

Por isso, não esperaria chegar ao aeroporto para resolver tudo.

Prepararia previamente:

  • mapas;

  • reservas;

  • moradas dos hotéis em chinês;

  • bilhetes;

  • capturas de ecrã;

  • aplicações de pagamento;

  • tradução.

Uma dica extremamente simples mas preciosa:

Guarda o nome do hotel em chinês.

Não apenas em inglês.

Se precisares de mostrar a um motorista para onde queres ir, o nome em caracteres chineses pode ser muito mais útil.

6. Tradução

Ter o Google Translate pode não ser suficiente dependendo da ligação disponível.

Por isso, aconselho a ter uma segunda solução de tradução instalada e, sobretudo, a guardar previamente algumas expressões importantes.

Também é útil aprender:

Ni hao – Olá

Xie xie – Obrigada

Duo shao qian? – Quanto custa?

Wo bu chi rou – Eu não como carne.

Para quem é vegetariano, como eu, esta última pode ser particularmente importante.

Ainda assim, não confiaria apenas numa frase.

Ter uma nota no telemóvel com os alimentos que não comes, escrita em chinês, pode evitar muitos mal-entendidos.

7. Transportes: os comboios são uma parte da viagem

Uma viagem desta dimensão implica várias deslocações.

E os comboios chineses são uma experiência por si só.

Para esta rota, eu tentaria organizar os grandes deslocamentos com antecedência:

Hong Kong → Xi'an → Shanghai → Pequim → Wudangshan

Sempre que possível, os comboios de alta velocidade são uma excelente forma de viajar entre cidades.

E há uma vantagem enorme:

em vez de perder um dia inteiro em aeroportos, muitas estações ferroviárias ficam relativamente próximas dos centros urbanos.

8. Reserva dos monumentos

Não assumas que basta aparecer à porta.

Alguns monumentos e atrações importantes trabalham com sistemas de reserva e identificação.

Por exemplo, o Templo do Céu permite atualmente a visitantes estrangeiros reservar através das plataformas oficiais no WeChat utilizando o passaporte. 

Por isso:

  • verifica sempre as regras de reserva antes de cada visita.

E leva o passaporte contigo.

Uma última mensagem pessoal

Há viagens que nos deixam fotografias.

Outras deixam uma lista de lugares visitados.

E há algumas que deixam perguntas.

A China deixou-me sobretudo uma sensação de escala.

  • Escala histórica.

  • Escala geográfica.

  • Escala cultural.

Em apenas 15 dias passei de uma das cidades mais densamente urbanizadas do mundo para uma aldeia piscatória; de milhares de guerreiros de terracota para palácios imperiais; de arranha-céus com centenas de metros para uma montanha sagrada onde os templos parecem nascer da própria pedra.

E talvez seja precisamente essa a melhor forma de viajar pela China:

  • não tentar compreendê-la toda.

Aceitar que cada cidade mostra apenas uma pequena parte.

E continuar a caminhar.

Porque, no final, entre o Big Buddha de Hong Kong, os guerreiros de Xi'an, a skyline de Shanghai, a Cidade Proibida de Pequim e o Golden Summit de Wudangshan, percebe-se uma coisa:

A China não é apenas um destino. É uma viagem através de milhares de anos de história, cultura e transformação.

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